quarta-feira, 20 de julho de 2011

As mães também choram...

Homenagem a Joyce de Figueiró Santos

    Acabo de ler mais uma das belíssimas crônicas de minha prima linda Joyce, lágrimas correram dos meus olhos, chama-se "Goiabas mal comidas", nem vale a pena resusmir a estória e sim incentivar mais e mais leitores a visitar seu blog (Ser essência [e] muito mais) e vislumbrar crônicas dessa nova escritora que desponta e que em breve será uma talento reconhecido e muito apreciado por todos.
   Bem, no decorrer da vida, aprendi muitas coisas, nem  todas, nem tudo, mas dentre uma delas é que nós, todas as pessoas são eternas errantes, erramos com nossos amigos, nossos amigos erram com a gente, erramos com nossos filhos, eles também erram, nossos pais erram e no fim só nos resta rir ou chorar.
   Eu Cynthya também tenho um caso a relatar que talvez explique porque existem e sempre precisarão existir essas "Goiabas mal Comidas"...
   Vamos ao caso...
   Desde pequenas, no meu caso desde novinhas, eu e minha irmã Nayara, por causa da mágica da genética, herdamos um certo problema de visão, que nos presenteou com apelido de "quatro olhos", por causa dos óculos, e por isso anualmente nossa mãe nos levava a Teófilo Otoni para as consultas oftamológicas, vez ou outra meu pai ia também, a viagem era longa (estrada de chão) e assim que chegávamos ao consultório, uma moça de simpatia forçada vinha pingar um veneno em nossos olhos, "o colírio", aquilo ardia pior do que pimenta, as lágrimas desciam quentes pelo rosto e desse momento em diante não enxergávamos nada que não fosse vultos.
   Depois de horas esperando em uma sala, já inquietas, pirraçando e reclamando de dor de cabeça o doutor nos chamava, examinava, colocava a gente pra ler aquelas letrinhas miúdas que já havíamos até decorado da última consulta (eles nunca mudam), nos dava um pirulito pelo bom comportamento, e por fim entregava a receita dos óculos, com um grau cada vez mais alto.
   Saíamos do consultório guiadas por nossa mãe, e só tínhamos o restante da tarde pra comprar os famosos óculos, visto que ainda enfrentaríamos mais uma jornada de estrada de chão pra voltar pra casa, mãe nos levava a umas seis, sete óticas, experimentávamos todas as armações possíveis, ceguetas e com muita dor de cabeça, e depois de muito pechinchar ela comprava aquelas armações que eu e minha irmã dizíamos ter gostado mais (pura mentira, porque não enxergávamos nadinha) íamos pra casa e dias depois chegavam os óculos prontos, 5 centímetros de lente (estiloho fundo de garrafa), só aí conhecíamos as novas armações que o colirío e a dor de cabeça não nos permitia ver no dia da escolha.
   Enfim, passaramanos alguns anos nesse mesmo ritual, até virem as lentes de contato, mas não é assim que termina a estória, como diz o velho ditado "o feitiço virou contra o feiticeiro".
   Alguns anos de passaram e no ano de 2006, eu cursava  faculdade no Rio, minha irmã ficara em Novo Cruzeiro e minha mãe precisou por motivos de força maior (falta de money) ir morar nos Estados Unidos, num belo dia ela percebeu que as letras começavam a se embaralhar, mal lia uma placa de rua, muito menos uma bula de remédio, e, inevitavelmente precisou procurar um especialista, chegou ao consultório, uma moça talvez um pouco mais agradável apareceu pra pingar o colírio, nem preciso dizer que ardeu, porque sei que ardeu muito, e também sei que daquele momento em diante tudo virara vultos, entrou então para o consultório e o veredicto final, ela precisaria usar óculos.
   Aproveitou o resto da tarde de folga pra escolher a armação, e com certeza escolheu aquela que sua acompanhante afirmara ter ficado bem nela, porque ela não conseguia enxergar nem o formato do seu rosto e ainda por cima estava sentindo uma forte dor de cabeça, de matart, como ela diz..
   No outro dia meu telefone toca, nada melhor que a distância pra gente perceber os nossos erros e principalmente quando eles são cometido com quem amamos, muito triste,de certo havia chorado, do outro lado da linha ela me contou toda a estória e eu do lado de cá quase morro de rir.
   Minha mãe não pediu perdão nem a mim e nem a minha irmã, não precisava, certas coisas não precisam serem ditas, o coração entende, e onde há amor não há espaço pra ressentimentos.
   Se Deus permitir ainda teremos muito tempo para cometer muitos outros erros, vou errar com meu filho, e sei que ele vai errar comigo e a melhor parte é perceber como o tempo passa e permite que a gente entenda as coisas, e só nos deixa duas opções, chorar ou rir, mas as duas são válidas, e ainda pode ficar melhor se pudermos chorar de tanto rir destes momentos.
   Joy, sua mamãe também já errou com você, e ela não vai te pedir perdão (elas são meio orgulhosas, choram caladas pra não dar o braço a torcer), e pode ter certeza, mesmo que você encontre a melhor goiaba do mundo pra presente-la quando você chegar, o que de verdade a deixa feliz é ter você pertinho dela.
   Mamães também erram e choram... hoje eu sei disso muito bem.
   Te amo Joy... saudades.

moral da estória: a culpa é do colírio e das goiabas que se escondem no fundo da geladeira.