Homenagem a Joyce de Figueiró Santos
Acabo de ler mais uma das belíssimas crônicas de minha prima linda Joyce, lágrimas correram dos meus olhos, chama-se "Goiabas mal comidas", nem vale a pena resusmir a estória e sim incentivar mais e mais leitores a visitar seu blog (Ser essência [e] muito mais) e vislumbrar crônicas dessa nova escritora que desponta e que em breve será uma talento reconhecido e muito apreciado por todos.
Bem, no decorrer da vida, aprendi muitas coisas, nem todas, nem tudo, mas dentre uma delas é que nós, todas as pessoas são eternas errantes, erramos com nossos amigos, nossos amigos erram com a gente, erramos com nossos filhos, eles também erram, nossos pais erram e no fim só nos resta rir ou chorar.
Eu Cynthya também tenho um caso a relatar que talvez explique porque existem e sempre precisarão existir essas "Goiabas mal Comidas"...
Vamos ao caso...
Desde pequenas, no meu caso desde novinhas, eu e minha irmã Nayara, por causa da mágica da genética, herdamos um certo problema de visão, que nos presenteou com apelido de "quatro olhos", por causa dos óculos, e por isso anualmente nossa mãe nos levava a Teófilo Otoni para as consultas oftamológicas, vez ou outra meu pai ia também, a viagem era longa (estrada de chão) e assim que chegávamos ao consultório, uma moça de simpatia forçada vinha pingar um veneno em nossos olhos, "o colírio", aquilo ardia pior do que pimenta, as lágrimas desciam quentes pelo rosto e desse momento em diante não enxergávamos nada que não fosse vultos.
Depois de horas esperando em uma sala, já inquietas, pirraçando e reclamando de dor de cabeça o doutor nos chamava, examinava, colocava a gente pra ler aquelas letrinhas miúdas que já havíamos até decorado da última consulta (eles nunca mudam), nos dava um pirulito pelo bom comportamento, e por fim entregava a receita dos óculos, com um grau cada vez mais alto.
Saíamos do consultório guiadas por nossa mãe, e só tínhamos o restante da tarde pra comprar os famosos óculos, visto que ainda enfrentaríamos mais uma jornada de estrada de chão pra voltar pra casa, mãe nos levava a umas seis, sete óticas, experimentávamos todas as armações possíveis, ceguetas e com muita dor de cabeça, e depois de muito pechinchar ela comprava aquelas armações que eu e minha irmã dizíamos ter gostado mais (pura mentira, porque não enxergávamos nadinha) íamos pra casa e dias depois chegavam os óculos prontos, 5 centímetros de lente (estiloho fundo de garrafa), só aí conhecíamos as novas armações que o colirío e a dor de cabeça não nos permitia ver no dia da escolha.
Enfim, passaramanos alguns anos nesse mesmo ritual, até virem as lentes de contato, mas não é assim que termina a estória, como diz o velho ditado "o feitiço virou contra o feiticeiro".
Alguns anos de passaram e no ano de 2006, eu cursava faculdade no Rio, minha irmã ficara em Novo Cruzeiro e minha mãe precisou por motivos de força maior (falta de money) ir morar nos Estados Unidos, num belo dia ela percebeu que as letras começavam a se embaralhar, mal lia uma placa de rua, muito menos uma bula de remédio, e, inevitavelmente precisou procurar um especialista, chegou ao consultório, uma moça talvez um pouco mais agradável apareceu pra pingar o colírio, nem preciso dizer que ardeu, porque sei que ardeu muito, e também sei que daquele momento em diante tudo virara vultos, entrou então para o consultório e o veredicto final, ela precisaria usar óculos.
Aproveitou o resto da tarde de folga pra escolher a armação, e com certeza escolheu aquela que sua acompanhante afirmara ter ficado bem nela, porque ela não conseguia enxergar nem o formato do seu rosto e ainda por cima estava sentindo uma forte dor de cabeça, de matart, como ela diz..
No outro dia meu telefone toca, nada melhor que a distância pra gente perceber os nossos erros e principalmente quando eles são cometido com quem amamos, muito triste,de certo havia chorado, do outro lado da linha ela me contou toda a estória e eu do lado de cá quase morro de rir.
Minha mãe não pediu perdão nem a mim e nem a minha irmã, não precisava, certas coisas não precisam serem ditas, o coração entende, e onde há amor não há espaço pra ressentimentos.
Se Deus permitir ainda teremos muito tempo para cometer muitos outros erros, vou errar com meu filho, e sei que ele vai errar comigo e a melhor parte é perceber como o tempo passa e permite que a gente entenda as coisas, e só nos deixa duas opções, chorar ou rir, mas as duas são válidas, e ainda pode ficar melhor se pudermos chorar de tanto rir destes momentos.
Joy, sua mamãe também já errou com você, e ela não vai te pedir perdão (elas são meio orgulhosas, choram caladas pra não dar o braço a torcer), e pode ter certeza, mesmo que você encontre a melhor goiaba do mundo pra presente-la quando você chegar, o que de verdade a deixa feliz é ter você pertinho dela.
Mamães também erram e choram... hoje eu sei disso muito bem.
Te amo Joy... saudades.
moral da estória: a culpa é do colírio e das goiabas que se escondem no fundo da geladeira.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Romântico é uma espécie em extinção...
Outro dia estava no meu trabalho quando ouvi uma das "criaturas" que lá trabalham balbuciar uma música falando dos "Românticos", eu já a ouvira em algum tempo em algum lugar, mas apenas ouvi não dei a ela o real valor de palavras tão sábias, tão verdadeiras... mas neste dia no trabalho, não me recordo em que estado estava meu coração, eu ouvi um pequeno trecho desta canção, numa voz feminina e até muito afinada cantarolando "romântico é uma espécie em extinção", me despertou até a curiosidade de pesquisar sobre essa letra e lá estava o google ao meu dispor, o cantor me era familiar, Vander Lee, composta por Nado Siqueira que com certeza fazia parte dessa espécie quase extinta, alguém capaz de colocar no papél algo tão penetrante no mínimo seria um dos últimos românticos, ouvir essa música acabou me trazendo várias questões mal respondidas que eu mesma me fiz o favor de esquecer, mas de repente reacendeu e voltei a me perguntar, onde estão, quem são o que fazem esses "Românticos"? Talvez se eu fosse a uma floricultura eu teria uma boa lista, quem sabe, daí me veio a cabeça que eu trabalho com mais umas 40 mulheres e como a gente fala pelos cotovelos não me recordava de ninguém dizer pelo menos nos últimos 6 meses que teria ganho um buquê de flores, ou mesmo uma caixinha de chocolate que fosse, e nem mesmo o contrário aconteceu, nenhuma dessas mulheres mencionou nenhuma atitude que me parecesse romântica com seus respectivos namorados, maridos, amantes, enfim... eu já tinha então uma boa amostra estatística de que para cada 80 pessoas levando em conta o fato pouco fidedigno de que cada uma dessas mulheres tenha um e apenas um companheiro, não havia nenhum ser romântico.
Parece que o amor decepcionou as pessoas, que o tempo levou a sensibilidade, o trabalho substituiu a carência afetiva, a preocupação com a futilidade suprimiu o desejo de apreciar as coisas mais simples, e nos tornamos escravos de uma vida que o tempo todo nos faz questionar se estamos de fato onde queríamos estar, com quem queríamos estar, e às vezes o que parece é que você está vivendo a vida de outra pessoa e que a sua própria vida ficou perdida em algum lugar... até quando na sua vida você foi quem você realmente queria ser? Quem foi a última pessoa que você olhou com os olhos cheios de paixão e disse aquele "eu te amo" que vem de dentro do coração? Quantas músicas você já parou para ouvir, pensar e dedicar a alguém que você amasse? Quantas poesias de amor você tem lido ultimamente? Quais romances você assistiu que te fizeram chorar? Quantas vezes você quis gritar o nome de alguém com saudades? E nas suas orações antes de dormir você tem pedido a Deus por aquela pessoa? Pode ser por aquela que está dormindo do seu lado, ou aquela que você abriu mão um dia e que talvez já nem pense mais em você e esteja até feliz do lado de outro alguém, mas foi por ela que você se sentiu pulsar, sentiu as pernas bambas e experimentou as loucuras mais saudáveis de amor e que são tão essenciais pra nossa vida...
Esses são alguns poucos dos meus questionamentos, quase devaneios..
E foi assim que me ocorreu uma linda lembraça que me encheu de motivação e espero que também sirva pra quem ainda tem uma potinha de esperança. No ano passado meu então cunhado chamou a mim e alguns amigos para uma missão que me fez acreditar que essa espécie embora em extinção ainda pode ser encontrada em lugares não tão longe como eu imaginava (Itália por exemplo) como eu iria parar lá, com que pretexto, nem falo a língua, mas enfim, voltando a 2010, no dia 28 de maio estávamos nós na janela do quarto da minha irmã cantando seus 22 anos de vida, e bem a minha frente, lá estava aquela espécie rara, cantando apaixonadamente o seu amor...
dedico esse texto a Daniela ("criatura cantante" do meu trabalho) e a Rafael (o "ser romântico", paulista-mineiro, brasilleiro e meu vizinho)
Composição: Nado Siqueira
Românticos são poucos
Românticos são loucos
Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro
É o paraíso...
Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo...
São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...
Romântico
É uma espécie em extinção!
Romântico
É uma espécie em extinção!
Românticos são poucos
Românticos são loucos
Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro
É o paraíso...
Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo...
São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...
Romântico
É uma espécie em extinção!
Romântico
É uma espécie em extinção!
Românticos são poucos
Românticos são loucos
Como eu!
Românticos são loucos
Românticos são poucos
Como eu! Como eu!
Parece que o amor decepcionou as pessoas, que o tempo levou a sensibilidade, o trabalho substituiu a carência afetiva, a preocupação com a futilidade suprimiu o desejo de apreciar as coisas mais simples, e nos tornamos escravos de uma vida que o tempo todo nos faz questionar se estamos de fato onde queríamos estar, com quem queríamos estar, e às vezes o que parece é que você está vivendo a vida de outra pessoa e que a sua própria vida ficou perdida em algum lugar... até quando na sua vida você foi quem você realmente queria ser? Quem foi a última pessoa que você olhou com os olhos cheios de paixão e disse aquele "eu te amo" que vem de dentro do coração? Quantas músicas você já parou para ouvir, pensar e dedicar a alguém que você amasse? Quantas poesias de amor você tem lido ultimamente? Quais romances você assistiu que te fizeram chorar? Quantas vezes você quis gritar o nome de alguém com saudades? E nas suas orações antes de dormir você tem pedido a Deus por aquela pessoa? Pode ser por aquela que está dormindo do seu lado, ou aquela que você abriu mão um dia e que talvez já nem pense mais em você e esteja até feliz do lado de outro alguém, mas foi por ela que você se sentiu pulsar, sentiu as pernas bambas e experimentou as loucuras mais saudáveis de amor e que são tão essenciais pra nossa vida...
Esses são alguns poucos dos meus questionamentos, quase devaneios..
E foi assim que me ocorreu uma linda lembraça que me encheu de motivação e espero que também sirva pra quem ainda tem uma potinha de esperança. No ano passado meu então cunhado chamou a mim e alguns amigos para uma missão que me fez acreditar que essa espécie embora em extinção ainda pode ser encontrada em lugares não tão longe como eu imaginava (Itália por exemplo) como eu iria parar lá, com que pretexto, nem falo a língua, mas enfim, voltando a 2010, no dia 28 de maio estávamos nós na janela do quarto da minha irmã cantando seus 22 anos de vida, e bem a minha frente, lá estava aquela espécie rara, cantando apaixonadamente o seu amor...
dedico esse texto a Daniela ("criatura cantante" do meu trabalho) e a Rafael (o "ser romântico", paulista-mineiro, brasilleiro e meu vizinho)
Românticos
Vander LeeComposição: Nado Siqueira
Românticos são poucos
Românticos são loucos
Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro
É o paraíso...
Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo...
São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...
Romântico
É uma espécie em extinção!
Romântico
É uma espécie em extinção!
Românticos são poucos
Românticos são loucos
Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro
É o paraíso...
Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo...
São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...
Romântico
É uma espécie em extinção!
Romântico
É uma espécie em extinção!
Românticos são poucos
Românticos são loucos
Como eu!
Românticos são loucos
Românticos são poucos
Como eu! Como eu!
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
...Meu querido Diário
Ás vezes me pergunto porque eu parei de escrever, lembro-me que este era o meu esporte favorito na minha conturbada adolescência e que era escrevendo que eu conseguia afastar os monstros que tanto me amendrotavam, não me lembro da data exata em que eu ao invés de continuar a escrever optei por conviver com os meus monstros, maldita data... hoje quando me sobra um pedacinho de dia, preferencialmente a noite, dou aquela olhadela no meu velho diário e sinto uma falta danada de poder falar de mim mesma para mim mesma... Perdi o hábito, a prática, antes as palavras fluiam facilmente e hoje perco tempo até para decidir sobre o que falar, por falta de assunto... Bom mesmo era quando uma terrível prova de matemática era o assunto, quando o dia amanhecia chuvoso, as decepções amorosas, quando a família se reunia aos domingos para o famoso "franguinho caipira", uma página no meu diário era pequena...
Saudades de ter sobre o que falar, de achar graça nas coisas e nas pessoas (inclusive nas sem graça) e poder traduzir tudo isso em palavras... tempo que não volta mais...
Hoje cá estou eu tentando reaprender o que eu mesma com toda minha estupidez me fiz esquecer, voltar a perceber o quanto é bom perder-se entre linhas, e deixar fatos entrelinhas (esses que só você entende), enfim, é como reaprender a caminhar, em algum momento você espera que se torne mecânico.
Meu diário não só me intriga pelas coisas absurdas que um dia já tive coragem pra relatar, ele diz resumidamente tudo que vivi em um ano (especificamente o ano de 2003), alguns dias entusiasmantes outros nem tanto, meu dias datados e assinados e vou lamentar cada dia dos anos seguintes não descritos no papél, ou seja, todos, porque sei que muitos já foram e/ou serão esquecidos... Vou lamentar não lembrar dos outros dias que amanheceram chuvosos, das reuniões de domingo, dos meus outros amores, como se parte de mim não fosse deveras documentada...
Mas vou me lembar de um dia especial, 07 de fevereiro de 2011, neste dia estou revitalizando algo que eu devia se quer ter deixado adormecer, o amor pelas linhas escritas, pelas páginas de rascunho, pelos rabiscos, pela caligrafia decadente (felizmente não exibida aqui), o amor por voltar a escrever...
trecho do Meu Diário de 30 de janeiro de 2003:
"Hoje eu dividi meu dia com uma pessoa muito especial, minha irmã, bom, mãe saiu cedo para Novo Cruzeiro dizendo que voltaria a noite e pediu que a esperássemos com um pudim e pão de cebola, pai também foi para Novo Cruzeiro e eu e Nayara ficamos sós, arrumamos a casa, almoçamos lá em vó Ercília, fizemos o pudim e o pão de cebola e surpresa... mãe ligou avisando que só voltaria amanhã, comemos até falar chega, ficou tudo uma delícia..."
Saudades de ter sobre o que falar, de achar graça nas coisas e nas pessoas (inclusive nas sem graça) e poder traduzir tudo isso em palavras... tempo que não volta mais...
Hoje cá estou eu tentando reaprender o que eu mesma com toda minha estupidez me fiz esquecer, voltar a perceber o quanto é bom perder-se entre linhas, e deixar fatos entrelinhas (esses que só você entende), enfim, é como reaprender a caminhar, em algum momento você espera que se torne mecânico.
Meu diário não só me intriga pelas coisas absurdas que um dia já tive coragem pra relatar, ele diz resumidamente tudo que vivi em um ano (especificamente o ano de 2003), alguns dias entusiasmantes outros nem tanto, meu dias datados e assinados e vou lamentar cada dia dos anos seguintes não descritos no papél, ou seja, todos, porque sei que muitos já foram e/ou serão esquecidos... Vou lamentar não lembrar dos outros dias que amanheceram chuvosos, das reuniões de domingo, dos meus outros amores, como se parte de mim não fosse deveras documentada...
Mas vou me lembar de um dia especial, 07 de fevereiro de 2011, neste dia estou revitalizando algo que eu devia se quer ter deixado adormecer, o amor pelas linhas escritas, pelas páginas de rascunho, pelos rabiscos, pela caligrafia decadente (felizmente não exibida aqui), o amor por voltar a escrever...
trecho do Meu Diário de 30 de janeiro de 2003:
"Hoje eu dividi meu dia com uma pessoa muito especial, minha irmã, bom, mãe saiu cedo para Novo Cruzeiro dizendo que voltaria a noite e pediu que a esperássemos com um pudim e pão de cebola, pai também foi para Novo Cruzeiro e eu e Nayara ficamos sós, arrumamos a casa, almoçamos lá em vó Ercília, fizemos o pudim e o pão de cebola e surpresa... mãe ligou avisando que só voltaria amanhã, comemos até falar chega, ficou tudo uma delícia..."
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